segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Encontro festivo e o futuro do planeta

Quase todo o contingente do Grupo de Estudo Jesus de Nazaré esteve presente ao encontro confraternativo realizado na residência do casal Fernando e Maria Luiza, nossa já conhecida "Mansão Mascarenhas". Além deste Coordenador-escriba e sua cara metade, Beatriz, marcaram presença as duas Carminhas - a Sampaio e a Brandão -, o casal Egnaldo e Valquíria - que levaram o filho Júnior e o neto Guilherme -, Regina, Cláudia, Cristiane, Iva, Waldelice, Eliete, Railza, Marilda, Lígia, Jaciara - acompanhada da filha e dos dois netos - Isabel e Magali. Foram momentos de descontração, mas de gratidão pelo ano de aprendizado, de conquistas, de grandes desafios para muitos de nós.
Mas foi também uma oportunidade de se ampliar as reflexões acerca do momento delicado que a Humanidade e o planeta atravessam. Nesse sentido, ganhou destaque, durante o encontro, a leitura realizada por Fernando de significativo trecho do sétimo capítulo do livro mediúnico Futuro Espiritual da Terra, ditado pelo Espírito André Luiz ao médium Samuel Gomes. De acordo com o autor, "as necessidades, as estruturas perispirituais e neuropsíquicas, o trabalho, o tempo, as características sociais e os próprios recursos de natureza material se tornarão bem mais sutis. O que chamamos de regeneração é exatamente essa mutação de realidades dos mundos que saem de protótipos materiais para os de condições espirituais". E, segundo Fernando, o teor da obra coaduna com as recentes proclamações feitas pelo Benfeitor Bezerra de Menezes através da psicofonia do médium e tribuno baiano Divaldo Pereira Franco.

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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Visita

Neste sábado, dia 16 de dezembro, o "Jesus de Nazaré" fará uma visita fraterna ao assistidos do Naspec, localizado no fim de linha do Engelho Velho de Brotas. Naspec é a sigla para o Núcleo de Assistência às Pessoas com Câncer, entidade criada pela administradora Romilza Medrado para abrigar os portadores dessa enfermidade que vêm do interior do Estado para fazer tratamento em Salvador. A foto abaixo registra uma das últimas visitas que o Grupo realizou àquela instituição, ocasião em que interagimos com os pacientes presentes - a maioria aproveita o fim de semana para voltar a seus lugares de origem -, partilhando com eles parte do aprendizado com o Evangelho de Jesus, especialmente no que diz respeito a "fazer ao próximo o que desejaríamos que o próximo nos fizesse".

domingo, 10 de dezembro de 2017

Ano passado a limpo

Por sugestão de Isabel, que não pode comparecer ao trabalho deste sábado, 9 de dezembro, a avaliação com que encerramos o ano letivo constou de quatro momentos distintos e complementares. O primeiro foi o conhecimento das duas consignas norteadoras da atividade - 1. O que mais me deixou satisfeito no aprendizado com o "Jesus de Nazaré" em 2017? e 2. O que eu acho que não deve se repetir ou precisa ser modificado? Já o segundo momento consistiu em cada participante trocar impressões com outro companheiro, formando duplas (houve um trio), abrindo-se em seguida a partilha grupal (terceiro momento). Desse trabalho participaram, além deste Coordenador, Carminha Sampaio, Cláudia, Eliete, Fernando, Egnaldo, Luiza, Railza, Iva, Marilene, Nilza, Carminha Brandão, Augusta, Valquíria, Magali, Waldelice, Cristiane e Regina, que retornava ao convívio do Grupo.
Aberta a partilha, Egnaldo, pedindo a palavra, considerou que (1) a convivência e a solidariedade ofereceram "excelsa oportunidade que me deixou feliz, como sempre"; para ele, (2) não foi muito bom o "excesso de confiança": "Não é bom agir assim", disse, acrescentando que, nisso, devemos melhorar. Falando em seguida, Eliete explicou sua ausência do grupo "por muitos anos", devido à doença que a combaliu, e revelou que o aprendizado recebido "é em todos os sentidos da Doutrina"; segundo ela, a convivência com os companheiros é o diferencial: "Porque vivo muito isolada, então faça desta Casa a minha casa; aqui só tive aprendizado".

Carminha Sampaio, por sua vez, destacou os trabalhos apresentados ao longo do ano e o aprendizado advindo de cada um deles - "muito bons", disse ela, considerando a convivência como fator primordial: "O Jesus de Nazaré é algo intenso em minha vida, é minha família", salientou, acrescentando que o grupo é o local onde se abre e lava a alma; a companheira viu na pouca motivação de alguns companheiros o ponto destoante neste ano, além do pouco compromisso com o horário das atividades; além de mais, ela acredita que "devemos enfatizar mais a parte social", referindo-se às visitas fraternas.
A interação do grupo e a vivência da noção de família - "com tapas e beijos, mas com muito amor" - foram observadas por Marilene, também destacando as reflexões motivadas pelo trabalhos realizados; o ponto negativo, segundo ela, continua sendo "nossa indisciplina, que deve ser trabalhada". Para Railza, a virtude do "Jesus de Nazaré" é "a liberdade de dizer nossas verdades - [aqui] digo todas as loucuras do mundo, o que não faço em outros lugares; aqui tiramos as máscaras, dando o que a gente sente"; ela contestou o fato de sermos um grupo carente de disciplina: "Não somos indisciplinados", disse, "somos pueris, e nossa criança interna é pulsante"; esta companheira recordou que no início do ano uma colega, ausente, havia desrespeitado um dos integrantes mais antigos do grupo, afirmando não ter gostado dessa atitude.

Em seguida, Iva ressaltou "o sucesso de minha apresentação" [sobre a família Zebedeu], acrescentando ter aprendido muito nas aulas sobre os ensinos de Jesus, assim como com as falas íntimas dos demais companheiros; para ela, o desequilíbrio em forma de indisciplina deu o tom negativo do grupo, acrescentando ainda "os maus pensamentos, a falta de respeito aos colegas e a si mesmo", atitudes que, disse ela, precisam ser modificadas. Por fim, Cláudia afirmou ver todos os acontecimentos no âmbito do "Jesus de Nazaré" como "uma terapia", retirando aprendizado de cada lição, encontrando "coisas em que jamais havia pensado"; ela é de opinião que as diferenças pessoais devem ser superadas: "Aqui, só o que se relaciona ao grupo".
Depois dos comentários, a Coordenação distribuiu mais papel e pediu a todos que escrevessem mensagens de estímulo assinadas mas sem indicar o destinatário. Reunidas, essas mensagens foram oferecidas aos participantes, que retiraram uma cada um, para em seguida lerem o que se escreveu, passando a agradecer ao autor, num momento de congraçamento. Nesse clima, a atividade foi encerrada. No próximo sábado, dia 16, o grupo voltará a se reunir, desta vez para uma visita fraterna ao Núcleo de Assistência à Pessoa com Câncer (Naspec), retomando uma prática interrompida nos últimos anos.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Seus feitos

"Então é Natal - e o que você fez?"

Esse trecho da música "Happy Xmas", de John Lennon, cuja versão em português, na voz da cantora baiana Simone, costuma penetrar em nossos ouvidos a cada fim de ano, parece dar o mote para a atividade do "Jesus de Nazaré" neste sábado, dia 9 de dezembro, quando a Coordenação procederá a uma avaliação das atividades realizadas ao longo deste ano letivo. Será um momento para os integrantes do Grupo analisarem sua participação, recordando o contrato há tempos firmado, no sentido de trabalhar, além dos conteúdos do Evangelho Segundo o Espiritismo, também as virtudes elencadas como prioridade no "Jesus de Nazaré", quais sejam o equilíbrio e a disciplina. Sugestões sobre temas do estudo e a metodologia a ser aplicada em 2018 também serão bem vindas.
Até lá!


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Questão de inteligência

Jaciara teve uma ideia para o trabalho apresentado junto com Marilda no dia 2 deste dezembro e o resultado teve a leveza de uma harmonia musical. O tema era o do tópico 13 do Cap. VII ("Bem-aventurados os pobres de espírito") de O Evangelho Segundo o Espiritismo (ESE), intitulado "Missão do homem inteligente na Terra", mensagem do Espírito protetor Ferdinando. Estávamos lá Eliete, Augusta, Isabel, Carminha Sampaio, Carminha Brandão, Egnaldo, Valquíria, Waldelice, Magali, Iva, Marilene, Cláudia, Cristiano, Lígia, Nilza e este escriba/Coordenador, além das duas condutoras da atividade.
Em primeiro lugar, elas procederam à leitura do texto do ESE e distribuíram, em seguida, cópia da bela lição do sexto capítulo do livro Jesus no Lar, na qual o Espírito Neio Lúcio, que a ditou ao médium Chico Xavier, discorre sobre "os instrumentos da perfeição" (ver abaixo). Depois disso, Marilda e Jaciara entregaram a cada participante um pedaço de papel contendo as três consignas (*) do trabalho, pediram que as respondessem primeiramente em duplas, antes de ser aberta a partilha grupal.
(*) As perguntas consignadas foram estas: 1 - De que maneira tenho aproveitado a minha inteligência aqui na Terra?; 2 - Quais os instrumentos de que me utilizo para o desenvolvimento da minha inteligência na presente encarnação?; e 3 - O que ainda me impede de trabalhar para desenvolver minha inteligência?
Chegada a vez dos comentários, Waldelice pediu a palavra e declarou que (1) o faz com muita dificuldade, mas salientou que (2) a oração e os trabalhos que executa na Casa Espírita suavizam a (3) angústia e tristeza quando lhe dizem coisas que não deveriam (por julgar não merecê-las), ressaltando que "ainda não me desapeguei disso". Objetivo, Egnaldo sentenciou: 1 - "Muito pouco, não sou muito inteligente, tenho limitações"; 2 - "a fala, postura corporal, o trabalho profissional"; e 3 - "a preguiça".
Marilene citou trecho do texto de Neio Lúcio (Espírito) explicando que isso a ajudou a entender um problema vivenciado no dia anterior; em seguida, ela respondeu às consignas: 1 - "conexão com as leis para processar o aprendizado nos relacionamentos"; 2 - "o julgamento, às vezes, com sentença"; e 3 - "disciplina"; por fim, esta companheira aproveitou para louvar a escolha do texto psicografado por Chico Xavier. Por sua vez, Carminha Sampaio, após também citar um episódio de sua vida pessoal, frisou a dificuldade de entendimento e ofereceu as respostas na ordem das perguntas: 1 - "não aproveito, a não ser no trabalho [espiritual]"; 2 - "o estudo e a vivência"; e 3 - "o marasmo; se não fosse o trabalho espiritual [como expositora da Doutrina] seria pior".
"Sou tida como ignorante por não usar a tecnologia", disse Eliete, referindo-se à sua pouca ou nenhuma familiaridade com aparelhos eletrônicos do porte de computadores e telefones celulares: "Me ofereceram cursos, mas eu não quis", ressaltou, afirmando que, vendo a neta gastar um tempo enorme com um celular, "concluo que tenho lucro"; a companheira também salientou mão gostar de certos programas de TV ou filmes: "Meu computador é Jesus, é Deus", salientou, acrescentando que "não falo mal de ninguém e não ouço o que falam de mal".
Valquíria referiu sua atividade profissional como tem aproveitado a própria inteligência, vendo o segundo ponto nas pessoas junto às quais nasceu, "responsáveis por meu aprendizado espiritual, por perceber o outro nessas pessoas e desenvolver meu compromisso com elas"; por fim, ela ressaltou encaixar-se "em tudo quanto tenho pedido em toda a minha vida". Augusta, por sua vez, indicou que "a família, apesar de tudo, é o centro da vida na Terra"; ela destacou trecho da mensagem de Neio Lúcio em que este Espírito fala da ajuda aos irmãos e concluiu que "vivemos para resgatar [os erros do passado] e evoluir".
Também Iva respondeu com objetividade, apontando os ensinos de Jesus no primeiro tópico, que a fazem dar assistência à família, segundo afirmou; o uso das ferramentas tecnológicas, disse, permite comunicar-se com todos e, finalmente, declarou que nada a impede de atuar em prol do desenvolvimento de sua inteligência. No encerramento, as meninas condutoras do trabalho distribuíram a letra da música "O que é, o que é?" (vídeo abaixo), composição de Gonzaguinha, convidando a todos para acompanhar a melodia.

***

Os instrumentos da perfeição

Naquela noite, Simão Pedro trazia à conversação o espírito ralado por extremo desgosto.
Agastara-se com parentes descriteriosos e rudes.
Velho tio acusara-o de dilapidador dos bens da família e um primo ameaçara esbofeteá-lo na via pública.
Guardava, por isso, o semblante carregado e austero.
Quando o Mestre leu algumas frases dos Sagrados Escritos, o pescador desabafou. Descreveu o conflito com a parentela e Jesus o ouviu em silêncio.
Ao término do longo relatório afetivo, indagou o Senhor:
— E que fizeste, Simão, ante as arremetidas dos familiares incompreensivos?
— Sem dúvida, reagi como devia! — respondeu o apóstolo, veemente. — Coloquei cada um no lugar próprio. Anunciei, sem rebuços, as más qualidades de que são portadores. Meu tio é raro exemplar de sovinice e meu primo é mentiroso contumaz. Provei, perante numerosa assistência, que ambos são hipócritas, e não me arrependi do que fiz.
O Mestre refletiu por minutos longos e falou, compassivo:
— Pedro, que faz um carpinteiro na construção de uma casa?
— Naturalmente, trabalha — redarguiu o interpelado, irritadiço.
— Com quê? — tornou o Amigo Celeste, bem-humorado.
— Usando ferramentas.
Após a resposta breve de Simão, o Cristo continuou:
— As pessoas com as quais nascemos e vivemos na Terra são os primeiros e mais importantes instrumentos que recebemos do Pai, para a edificação do Reino do Céu em nós mesmos. Quando falhamos no aproveitamento deles, que constituem elementos de nossa melhoria, é quase impossível triunfar com recursos alheios, porque o Pai nos concede os problemas da vida, de acordo com a nossa capacidade de lhes dar solução. A ave é obrigada a fazer o ninho, mas não se lhe reclama outro serviço. A ovelha dará lã ao pastor; no entanto, ninguém lhe exige o agasalho pronto. Ao homem foram concedidas outras tarefas, quais sejam as do amor e da humildade, na ação inteligente e constante para o bem comum, a fim de que a paz e a felicidade não sejam mitos na Terra. Os parentes próximos, na maioria das vezes, são o martelo ou o serrote que podemos utilizar a benefício da construção do templo vivo e sublime, por intermédio do qual o Céu se manifestará em nossa alma. Enquanto o marceneiro usa as suas ferramentas, por fora, cabe-nos aproveitar as nossas, por dentro. Em todas as ocasiões, o ignorante representa para nós um campo de benemerência espiritual; o mau é desafio que nos põe a bondade à prova; o ingrato é um meio de exercitarmos o perdão; o doente é uma lição à nossa capacidade de socorrer. Aquele que bem se conduz, em nome do Pai, junto de familiares endurecidos ou indiferentes, prepara-se com rapidez para a glória do serviço à Humanidade, porque, se a paciência aprimora a vida, o tempo tudo transforma.
Calou-se Jesus e, talvez porque Pedro tivesse ainda os olhos indagadores, acrescentou serenamente:
— Se não ajudamos ao necessitado de perto, como auxiliaremos os aflitos, de longe? Se não amamos o irmão que respira conosco os mesmos ares, como nos consagraremos ao Pai que se encontra no Céu?
Depois destas perguntas, pairou na modesta sala de Cafarnaum expressivo silêncio que ninguém ousou interromper.



quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Quem é inteligente tem de trabalhar

"Missão do homem inteligente na Terra", do Cap. VII de O Evangelho Segundo o Espiritismo ("Bem-aventurados os pobres de espírito"), é o tema do trabalho que Marilda, junto com Jaciara, vai apresentar neste sábado, 2 de dezembro, encerrando o ciclo de atividades letivas do "Jesus de Nazaré". Nesse tópico, o autor da mensagem - o Espírito Protetor Ferdinando - nos diz que, embora abusemos a inteligência - e a história da Humanidade é pródiga em exemplos nesse sentido -, não faltam lições para advertir-nos "de que uma poderosa mão" pode retirar do Homem "aquilo que ela mesma lhe deu". Por esse breve recordatório já para para percebermos que a atividade será tanto estimulante quanto rica, não é? Assim, compareçamos todos ao encontro.

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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Fé que eleva e fé que despenca

Solte a corda, confie!
(Autor desconhecido)

Esta é a história de um alpinista que sempre buscava superar mais e mais desafios. Ele resolveu, depois de muitos anos de preparação, escalar o Aconcágua. Mas ele queria a glória somente para ele e decidiu escalar sozinho, sem nenhum companheiro, o que seria natural no caso de uma escalada com tal dificuldade. Ele começou a subir e foi ficando cada vez mais tarde, porém ele não havia se preparado para acampar e assim resolveu seguir a escalada até o topo. Escureceu, e a noite caiu como breu nas alturas da montanha. Não era possível enxergar um palmo à frente do nariz, não se via absolutamente nada. Tudo era escuridão e zero de visibilidade. Não havia luz e as estrelas estavam cobertas pelas nuvens. Subindo por uma "parede" a apenas 100 metros do topo, ele escorregou e caiu, numa velocidade vertiginosa, somente conseguindo ver as manchas que passavam cada vez mais rapidamente na mesma escuridão. E ele sentia a terrível sensação de ser sugado pela força da gravidade.
Ele continuava caindo, e nesses angustiantes momentos passaram por sua mente todos os momentos felizes e tristes que já havia vivido em sua vida. De repente, ele sentiu um puxão forte que quase o partiu ao meio: "shack"! Como todo alpinista experimentado, ele havia cravado estacas de segurança com grampos e uma corda comprida que fixou em sua cintura. Nesses momentos de silêncio, suspenso pelos ares na completa escuridão da noite, não sobrou para ele nada além de gritar:
- Oh, meu Deus, me ajude!
De repente, uma voz grave e profunda vinda do céu respondeu:
- O que você quer de mim, meu filho?
- Salve-me, meu Deus, por favor!
- Você realmente acredita que eu possa lhe salvar?
- Eu tenho certeza, meu Deus!
- Então, corte a corda que lhe mantém pendurado.
Houve um momento de silêncio e reflexão. O homem se agarrou mais ainda à corda e refletiu que se fizesse aquilo morreria.
Conta o pessoal do resgate que no outro dia encontraram um alpinista congelado, morto, agarrado com força, com suas duas mãos, a uma corda, a tão somente dois metros do chão!

***

Foi com essa história, que oferece uma ótima reflexão sobre a fé que manifestamos na Divindade, que Carminha, ao lado de Fernando e Egnaldo, iniciou a atividade deste sábado, 25 de novembro, na segunda parta da abordagem sobre o tema "O mal e o remédio", tirado de O Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu capítulo 5. A proposta, após a leitura compartilhada, era fazer uma reflexão individual e logo depois todos comentariam em dupla como agiriam no lugar do malfadado alpinista.
Aberta a partilha grupal, Marilene pediu a palavra e relatou a situação vivida com o marido enfermo, que se revolta por ter de tomar remédios e não obedece às ordens de restrição alimentar; segundo ela, essa é uma boa oportunidade para "cortar a corda", uma vez que o companheiro não aceita suas ponderações: "Vou dormir com a consciência tranquila" - disse. Mas Augusta considerou que "se eu cortar a corda serei considerada suicida" e afirmou querer cumprir seu tempo encarnatório, aproveitando para dar um conselho: "Não peça socorro a Deus, mude!" - e voltou a enfatizar se posicionamento contrário ao autocídio: "Não quero me suicidar, minha corda é essa".
Por sua vez, Eliete foi taxativa: "Apesar a impetuosidade do alpinista, se fosse eu, da forma como chamo por Deus, se apelasse e ouvisse uma resposta, sabendo que não era ilusão, estaria para o que desse e viesse"; segundo afirmou, "a fé dentro de mim me faz transformar, confiando em Jesus como meu Pastor. Deus é Pai, é tudo sobre nós" - concluiu. Valquíria esclareceu que, por meditar muito, certamente corta a corda, reconhecendo que "às vezes, essa atitude possa parecer agressiva a quem está por perto"; ela salientou que ora pedindo orientação a Deus, "que não é vazio"; quanto às pessoas, "acolho, mas não seguro a cruz de ninguém - é problema do outro", disse, acrescentando que, nessa hora"corto a corda", porque "temos de assimilar o que estudamos".
Jaciara aproveitou para manifestar sua surpresa ao constatar que, "tanto tempo depois, minha fé é menor que um grão de mostarda", porque, segundo disse, "conforme a situação, blasfemo, questiono" - a justiça divina - e citou um episódio envolvendo a saúde de um de seus netos revelando que já consegue falar do assunto, por ver-se mais equilibrada, "porque foi um teste muito duro", ressaltou, admitindo que "tem hora que fico agarrada à corda, mesmos em ter dado um passo atrás". Para Railza, "ninguém tem que ficar se culpando de nada", afirmando que "hoje corto a corda", mesmo reconhecendo que "praticar a lição é dureza"; depois de referir um episódio pessoal, essa companheira concluiu ser "alpinista consciente de meu papel".
"Fico feliz comigo porque venço os obstáculos pela fé", disse Iva, ajuntando que "pelo recurso de pedir a Deus é fácil [alcançar o que se deseja], mas é preciso reconhecer que dentro temos todos os recursos". Chegada a vez de Cláudia, esta companheira ponderou: "Corto a corda, mas fico segurando ela" porque, conforme assegurou, "preciso de um tempo para assimilar o que estou passando e só depois é que largo a corda de vez"; segundo ela, "preciso ter consciência de que [a situação difícil] vai passar, mas o medo é maior".
Luiza falou das dificuldades que tem enfrentado ultimamente, a exemplo da desencarnação de uma cunhada e a reação de seu marido a uma cirurgia: "Não largo a corda a não ser pela confiança em Bezerra de Menezes", disse. Por fim, Egnaldo considerou que "largar a corda não é tarefa fácil; a gente fica resistente", frisou, contudo reconhecendo, com uma pontinha de dúvida: "Claro que a fé transporta montanhas, mas..."
No encerramento da atividade, Fernando fez a leitura de um texto em que Carlos Torres Pastorino, autor da monumental Sabedoria do Evangelho, descreve os vários tipos de fé, após o que distribuiu cópia da dissertação (abaixo) do filósofo Huberto Rohden, autor de Sabedoria das Parábolas, sobre o tema. Mas antes que o trabalho fosse definitivamente concluído a Coordenação ofereceu uma interpretação do primeiro texto abordado, referindo que a salvação advinda após o alpinista cortar a corda seria a morte física; no entanto, o Espírito imortal que ainda não se conscientizou dessa condição ainda manifesta apego à realidade material, aí representada pela corda.

***


(Huberto Rohden)

É uma atitude de fidelidade, harmonia, sintonia.
Os discípulos pediram ao Mestre:
- Aumente nossa fé, ou seja, aumente a nossa harmonia com o  mundo espiritual.
Eles sentem que têm uma ligeira fidelidade ao mundo da realidade divina, mas sentem também a fraqueza e pequenez dessa sua fidelidade.
Então o Mestre respondeu:
- Se tiverdes fidelidade genuína e autêntica, mesmo que seja inicialmente pequena como um grão de mostarda, porém genuína e autêntica, então tereis o poder sobre todo o mundo material. O que é importante não é quantidade, mas sim a qualidade da fé.
Os atos desinteressados produzem o clima propício para uma atitude espiritual de fé, ou fidelidade. Quem trabalha para ser recompensado age em nome do ego humano, sempre egoísta, mas quem trabalha sem nenhuma intenção, explícita ou implícita, de ser recompensado, esse cria um ambiente propício para a atitude de fé.
A fé é uma atitude espiritual do Eu, mas qualquer ato interesseiro do ego mercenário enfraquece o ambiente para o nascimento e crescimento da fé. A verdadeira fé ou fidelidade com o Espírito de Deus cresce na razão direta da libertação do homem de qualquer espírito mercenário.